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Um dos temas mais comuns nas Igrejas cristãs contemporâneas é a música secular. As análises são inúmeras entre os que defendem que o cristão pode ouvir e aqueles que não aconselham que o crente ouça música que não é cristã.


Meu objetivo é tentar encontrar, na música, o que determina a sua posição, ou seja, o que indica de que lado ela está nesta batalha. Por isso, antes de defender um ponto de vista, mais importante é julgar a validade do texto, a letra, sua poesia. Para tanto, vamos tratar aqui pelo título de Músicas Bíblicas às músicas cristãs, e Seculares às músicas não cristãs.


O tema música é muito amplo e, portanto, muito mais eficaz será dissecá-la para compreender o que a compõe e o que é importante para o assunto que estamos tratando neste texto.


Música é uma combinação de sons e silêncios, simultâneos, obedecendo um certo limite de tempo. No sentido de organização temporal, ela pode ser subdividida em harmonia, melodia e ritmo. A harmonia é formada pelo conjunto de acordes musicais que serão tocados com a intenção de sobrepor as camadas da melodia, enquanto que o ritmo está ligado ao tempo e intensidade, ele determina a pulsação da música. A melodia é a parte da música que pode ser solfejada, solada ou cantada e, portanto, é aquela que poderá conter elementos externos como a poesia, por exemplo. Esta é a parte da música que nos interessa por enquanto.


A poesia expressa a alma de um indivíduo que representa a si próprio ou a um grupo específico. Portanto, ela é carregada de significados e princípios que foram aprendidos, assimilados pelo poeta ao longo de sua vida.


Via de regra, a cultura onde o poeta está inserido será impressa nas poesias de quem compõe. Isso pode ser claramente observado nos textos Bíblicos poéticos de Salmos, Provérbios e Eclesiastes, por exemplo, bem como em toda a Bíblia. O mesmo método pode ser aplicado às poesias Seculares.


Observando exemplos simples podemos citar Salomão, rei de Israel, e Marisa Monte, compositora brasileira nos respectivos textos:

“A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira” em Provérbios 15:1; e

“Nós que passamos apressados pelas ruas da cidade. Merecemos ler as letras. E as palavras de gentileza” em Gentileza.


Claramente, o primeiro autor aborda o seu tema dando um conselho sábio ao leitor, enquanto que o segundo não deixa claro que quer dizer, abrindo espaço para qualquer interpretação.


O textos Bíblicos, canônicos, do qual a poesia do rei Salomão faz parte, revelam a pessoa e vontade de Deus ao homem através de seus pensamentos utilizando linguagem humana. Estes textos provocam mudança de pensamento e, consequentemente, de comportamento nos indivíduos que dedicam tempo à leitura e meditação diários.


Por outro lado, textos comprometidos com necessidades humanas ou experiências vazias não acrescentam e não melhoram comportamentos. Poesias antropocêntricas colaboram para a desconstrução de uma identidade conectada ao Teos, onde todo homem possui ligação.


Outro aspecto importante na análise das poesias bíblica e secular é o temporal. A poesia secular é dependente do ritmo, da métrica e da rima. Tire um desses elementos e tal poesia perde o sentido. Ineficaz também é traduzi-las uma vez que, longe do idioma original, perde os elementos que a compõe. Já a poesia bíblica é amparada pelo sentido do texto. Poesias com esta última característica não perdem o sentido em nenhuma instância seja o tempo, o idioma, ou a cultura. Sendo atemporais, servem para sempre.
Desta forma, a questão a ser explorada é se a música secular tem valor relevante para merecer estar em um contexto cristão.


A poesia bíblica tem absoluta autoridade e sua inspiração é verbal, plena e inerrante já que Deus é a sua causa primária, fazendo com que seu conteúdo esteja em conformidade com sua Pessoa, Propósito e Obra.


O texto sagrado contém a cultura que formou o povo hebreu ao longo dos anos. Desta forma não foi a cultura do povo que formou o livro, a Bíblia, mas o livro que formou a cultura do povo. Isto deixa claro que toda cultura local, uma vez influenciada pelas Escrituras, têm características que fazem com que os indivíduos pertencentes a ela reconhecem o seu papel diante de Deus.


A Igreja é uma microcultura social. Tal instituição é comumente reconhecida como o corpo de Cristo que está reunido em algum lugar, por exemplo: A Igreja do Brasil, A Igreja do Maranhão ou a Igreja de São Luís. A formação cultural das pessoas que integram este grupo tem a identidade formada pela Palavra de Deus. Desta forma, as poesias da música Secular não podem fazer parte da hinologia cristã porque não preenche os requisitos mínimos para tal, justificados nos parágrafos anteriores.


Dos elementos que formam a música restam harmonia e ritmo que são perfeitamente utilizáveis no contexto cristão contemporâneo. Imagine uma poesia hebraica, de um texto dos Salmos, mesclada com harmonia e ritmo brasileiros, estadunidenses ou chineses, para não citar mais exemplos. Sem dúvidas é uma combinação fascinante e praticável ao mundo inteiro, por toda a Igreja de Cristo.

Músicas cristãs, que podem ser tocadas em Igrejas, devem trazer a reflexão sobre quem Deus é, e ensinar sobre a Sua aliança com os homens, arrependimento, perdão de pecados, santificação, a criação e suas belezas, sobre o Messias, suas promessas seu retorno e o futuro do povo de Deus. Todos estes temas estão contemplados nas Escrituras Sagradas.

Ao cantar, aprendemos. A Bíblia é o melhor texto para influenciar a humanidade, são um modelo para a prática devocional através da música.

Por Guilherme Tavares